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informática. As palhas servem para
cobrir as casas e fazer peças
artesanais e os troncos são
utilizados na construção de casas,
telhados e móveis. Tudo dessa árvore
se aproveita.

A retirada da palha é uma atividade
masculina e é sempre realizada no
verão, que em Ilha Grande ocorre de
agosto a dezembro. Essa
matéria-prima é extraída de forma
sustentável, sendo retirados para o
trabalho artesanal apenas três dos
seis brotos existentes na carnaúba,
para que a árvore possa continuar
produzindo. Depois de coletar o
broto, a folha é batida no chão, a
fim de que seja retirada toda a
cera. As folhas ficam expostas ao
sol e aí se transformam em palha.
Após a secagem da palha é que
começam a trançar. Algumas artesãs
fazem seus trabalhos com a palha
riscada, processo que consiste em
dividi-la em quatro tiras. Outras
utilizam a palha em “linho”, obtida
desbastando-se a palha.

Depois disso, os artesãos passam
para a criação das peças, sendo
vários os pontos do trançado. Com o
ponto aberto, produzem-se os
porta-talheres; com o fechado,
fabricam-se os cestos e, com os
pontos grego e natural, as artesãs
fazem os pratos decorativos. Os
artesãos, em sua grande maioria
mulheres, trabalhavam isoladamente,
vendiam seus produtos em casa,
feiras e mercados da região ou para
atravessadores, que baixavam os
preços das peças. Antigamente, a
falta de diversidade das peças e de
uma estratégia de comercialização de
produtos provocava uma estagnação na
atividade e, conseqüentemente, o
empobrecimento dessa comunidade.
Nesse cenário, a renda per capita
era de menos de um salário mínimo
por mês.
Hoje, a comunidade tem organizada a
Associação de Artesãos Trançados da
Ilha Grande de Santa Isabel que
conta com 25 artesãs que
confeccionam várias peças utilizando
a palha. Dona Serrate, líder e
presidente da Associação, ajuda a
coordenar o grupo de artesãs e
assegura que a tradição da arte do
trançado de carnaúba seja
preservada. Dona Serrate conta que
passou a criar peças diferenciadas e
que chamaram a atenção de todos. “A
mudança foi interna. Sou uma artesã
que cria as próprias peças e
repassei isso para as outras
mulheres do grupo, a fim de que elas
passassem a criar também”. Por causa
disso, hoje, a comunidade atua em
parceria com o SEBRAE/PI, Prefeitura
do Município de Parnaíba e da Caixa
Econômica Federal.

Por meio de cursos e treinamentos,
as artesãs foram orientadas sobre a
importância do associativismo para o
fortalecimento do artesanato
produzido em Ilha Grande. Com isso,
as que já tinham uma noção do que é
trabalhar em grupo passaram a ter
isso como um compromisso firmado
para sempre na vida. As artesãs
aprenderam a ter um padrão de
qualidade na produção das peças,
como manter o estoque de
matéria-prima e como o design pode
ser um aliado fundamental na criação
de novas peças.
As artesãs aprenderam a tingir a
palha. Para obtê-la colorida, o
processo é semelhante ao tingimento
caseiro de tecidos, mergulhando-se a
palha em água fervente, na qual se
dilui a tinta. A anilina vegetal é
utilizada para colorir as palhas,
tudo muito artesanal. Assim, os
trançados vão adquirindo formas
variadas e coloridas, verdadeiras
obras de arte que encantam pela
simplicidade e bom gosto.
Uma das estratégias traçadas com a
ajuda do SEBRAE foi manter uma
relação comercial permanente nas
centrais de artesanato e nas
centrais de venda, como a
desenvolvida com a Tekoha. O lucro
das encomendas é partilhado por
todos. O trabalho é por produção,
ganha mais quem produz mais. Tudo
isso, respeitando a habilidade e a
capacidade de cada um. As artesãs
ganham uma média de dois salários
mínimos por mês. Algumas, por
priorizarem a produção de peças,
garantem uma renda de até R$ 900,00
ao mês.
A Associação dos Trançados da Ilha
de Santa Isabel foi selecionada
(jun/07) como a única representante
piauiense para compor a relação de
entidades que vão expor e
comercializar o artesanato
brasileiro junto ao mercado externo. |