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TRANÇADOS DA ILHA

A Comunidade de Ilha Grande de Santa Isabel é a maior ilha pertencente ao delta do Rio Parnaíba, localizada na cidade de Parnaíba, a 326 quilômetros de Teresina, a capital do Piauí. A comunidade de Ilha Grande sobrevive basicamente do turismo, da pesca, da produção de arroz, do artesanato, da extração do pó da carnaúba e do pequeno varejo, nas quitandas.

A carnaúba é um dos símbolos do Piauí. Considerada a “árvore da vida”, dela se extrai a cera que é utilizada nas indústrias farmacêutica, cosmética, de aviação e de
informática. As palhas servem para cobrir as casas e fazer peças artesanais e os troncos são utilizados na construção de casas, telhados e móveis. Tudo dessa árvore se aproveita.

A retirada da palha é uma atividade masculina e é sempre realizada no verão, que em Ilha Grande ocorre de agosto a dezembro. Essa matéria-prima é extraída de forma sustentável, sendo retirados para o trabalho artesanal apenas três dos seis brotos existentes na carnaúba, para que a árvore possa continuar produzindo. Depois de coletar o broto, a folha é batida no chão, a fim de que seja retirada toda a cera. As folhas ficam expostas ao sol e aí se transformam em palha. Após a secagem da palha é que começam a trançar. Algumas artesãs fazem seus trabalhos com a palha riscada, processo que consiste em dividi-la em quatro tiras. Outras utilizam a palha em “linho”, obtida desbastando-se a palha.

Depois disso, os artesãos passam para a criação das peças, sendo vários os pontos do trançado. Com o ponto aberto, produzem-se os porta-talheres; com o fechado, fabricam-se os cestos e, com os pontos grego e natural, as artesãs fazem os pratos decorativos. Os artesãos, em sua grande maioria mulheres, trabalhavam isoladamente, vendiam seus produtos em casa, feiras e mercados da região ou para atravessadores, que baixavam os preços das peças. Antigamente, a falta de diversidade das peças e de uma estratégia de comercialização de produtos provocava uma estagnação na atividade e, conseqüentemente, o empobrecimento dessa comunidade. Nesse cenário, a renda per capita era de menos de um salário mínimo por mês.

Hoje, a comunidade tem organizada a Associação de Artesãos Trançados da Ilha Grande de Santa Isabel que conta com 25 artesãs que confeccionam várias peças utilizando a palha. Dona Serrate, líder e presidente da Associação, ajuda a coordenar o grupo de artesãs e assegura que a tradição da arte do trançado de carnaúba seja preservada. Dona Serrate conta que passou a criar peças diferenciadas e que chamaram a atenção de todos. “A mudança foi interna. Sou uma artesã que cria as próprias peças e repassei isso para as outras mulheres do grupo, a fim de que elas passassem a criar também”. Por causa disso, hoje, a comunidade atua em parceria com o SEBRAE/PI, Prefeitura do Município de Parnaíba e da Caixa Econômica Federal.

Por meio de cursos e treinamentos, as artesãs foram orientadas sobre a importância do associativismo para o fortalecimento do artesanato produzido em Ilha Grande. Com isso, as que já tinham uma noção do que é trabalhar em grupo passaram a ter isso como um compromisso firmado para sempre na vida. As artesãs aprenderam a ter um padrão de qualidade na produção das peças, como manter o estoque de matéria-prima e como o design pode ser um aliado fundamental na criação de novas peças.

As artesãs aprenderam a tingir a palha. Para obtê-la colorida, o processo é semelhante ao tingimento caseiro de tecidos, mergulhando-se a palha em água fervente, na qual se dilui a tinta. A anilina vegetal é utilizada para colorir as palhas, tudo muito artesanal. Assim, os trançados vão adquirindo formas variadas e coloridas, verdadeiras obras de arte que encantam pela simplicidade e bom gosto.

Uma das estratégias traçadas com a ajuda do SEBRAE foi manter uma relação comercial permanente nas centrais de artesanato e nas centrais de venda, como a desenvolvida com a Tekoha. O lucro das encomendas é partilhado por todos. O trabalho é por produção, ganha mais quem produz mais. Tudo isso, respeitando a habilidade e a capacidade de cada um. As artesãs ganham uma média de dois salários mínimos por mês. Algumas, por priorizarem a produção de peças, garantem uma renda de até R$ 900,00 ao mês.

A Associação dos Trançados da Ilha de Santa Isabel foi selecionada (jun/07) como a única representante piauiense para compor a relação de entidades que vão expor e comercializar o artesanato brasileiro junto ao mercado externo.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

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