|

Há documentação histórica narrando
que essa senhora morreu em 1802,
deixando suas terras como doação
para seus escravos. No entanto, os
quilombolas contam que, quando ela
saiu para se tratar na cidade e
morreu, escravos fugidos, que
estavam nos arredores da região, se
organizaram e tomaram a comunidade.
Mas alguns moradores de Ivaporunduva
dizem que sua fundação é mesmo
anterior a 1720.

“Por volta de 1700, quem vivia aqui
não eram mais os escravos. Só que
eles viviam uma pressão muito forte,
do pessoal que estava aqui para
baixo e aqui para cima, que vinha
aqui para pegar eles e levar de novo
para vender. Vendiam em Iporanga,
onde a mineração era muito forte,
onde tinha muito dono de escravo”,
conta Benedito Alves da Silva,
liderança da comunidade.
Ivaporunduva é formada por 70
famílias, que vivem em uma vila
localizada na beira do Rio Ribeira
do Iguape, e em casas espalhadas,
até cinco quilômetros de distância
da vila. A maioria das casas da vila
é de alvenaria e coberta com telhas,
mas no interior da comunidade as
casas ainda são de sapé,
pau-a-pique, com chão de barro
socado.

Até a 4a. série do ensino
fundamental, as crianças estudam na
escola municipal da comunidade. Para
as séries seguintes se deslocam em
torno de 6 km, com transporte
fornecido pela prefeitura, até a
Escola Estadual Maria Antonia Chules
Princesa, na Comunidade André Lopes.
Para cursar o Ensino Médio,
freqüentam escolas no bairro de
Itapeúna (a 30 km) ou na cidade de
Eldorado (45 km). O ensino superior
só é acessível em Registro ou São
Paulo.
A comunidade de Ivaporunduva
desenvolve uma série de projetos
visando gerar alternativas de manejo
de seus recursos naturais e de
geração de renda. Por isso, a
Patrícia do ISA também nos
acompanhou na visita. Em parceria
com o Instituto são desenvolvidos
projetos de plantação de banana
orgânica, produção de artesanatos
com palha de bananeira, repovoamento
do palmiteiro juçara e coleta
seletiva de lixo. Em maio de 2003, a
comunidade conseguiu o certificado
de banana orgânica, concedido pelo
Instituto Biodinâmico de Botucatu.

O trabalho com artesanato tem como
fundamento a promoção de
alternativas de desenvolvimento, de
sustentabilidade sócio-econômica,
cultural e educacional que
possibilitam a permanência da
população jovem dos quilombos em
suas comunidades, diminuindo o risco
de exclusão e marginalização que
ocorrem quando migram para outras
regiões. Entretanto o grupo de
artesãs e artesãos começou com 40
integrantes e hoje são apenas 16.
Érica, moradora da comunidade e
artesã conta que o pessoal viu que
não tava vendendo muito e foi
desistindo…

O processo produtivo do artesanato
começou com a assessoria de técnicos
da ESALQ/USP para aproveitamento do
caule da bananeira. Hoje a
comunidade conta com um grupo que
produz bolsas, tapetes, jogos
americanos, pulseiras, colares,
cortinas, etc. A parceria entre a
Esalq e o ISA tem mantido a
assessoria técnica para a produção e
comercialização das peças em feiras
e por encomenda, entre as
organizações que comercializam seus
produtos, a Tekoha é uma delas, como
mais uma forma de geração de renda.

Atualmente, a comunidade luta pela
titulação das suas terras, pois
assim, a construção de uma
hidrelétrica na região não seria
possível. A sua construção seria
responsável pela inundação de 111
mil hectares, incluindo as terras
mais férteis da região e parques
ecológicos. |